Os danos provocados por insectos podem ir de um simples furo ou um corte mais profundo, a um rendilhado bastante elaborado cujo significado é a perda irrecuperável do fólio atacado.

Na nomenclatura utilizada pelos profissionais, pequenas subtilezas no discurso podem ajudar a discernir sobre a dimensão do estrago. O uso de “furo” (eg. pequeno furo de traça), por norma indica que o estrago é passível de restauro ou insignificante. Já “corte” pode significar a perda de parte substancial de suporte. O uso do plural para ambos os termos deve deixar o bibliófilo avisado. Comummente, o profissional acrescenta o lugar do estrago – marginal, junto ao festo, afectando o texto, etc.

Tenha em atenção que se trata de um texto escrito, por vezes impresso. Ou seja, o profissional, ainda que possa ser exaustivo, dará uma apreciação geral. Menos detalhe na descrição – eg. “corte de traça na margem inferior” – é o mesmo que dizer que todo o volume foi afectado; mais detalhe – eg. “corte de traça na margem inferior nos fólios […]” – provavelmente significa menos dano, ainda que a extensão da descrição e a percepção do leitor possa levar à leitura contrária. Tendencialmente, quanto maior a importância do livro, maior será o detalhe da descrição dos defeitos, chegando mesmo ao ponto de elencar todos os fólios afectados e de que forma.

É sempre bom relembrar que não existe uma fórmula fixa que determine o uso da nomenclatura para descrever danos provocados por insectos (ou qualquer outro dano). No entanto, todos os profissionais tendem a ser coerentes, criando uma espécie de hierarquia para o seu vocabulário. Se não conhece o trabalho do profissional, consulte os seus catálogos e, se puder, compare o vocabulário utilizado com o exame do exemplar. Desta forma poderá facilmente estabelecer uma relação entre o que lê e a sua percepção do estado real. Se tiver dúvidas, não hesite em contactar o profissional. Ele esclarecê-lo-á e, eventualmente, enviar-lhe-á imagens em formato digital para dissipar todas as incertezas.

Os danos provocados por insectos são sempre prejudiciais ao valor do exemplar. No entanto, a sua importância, neste aspecto em particular, diminui à medida que aumenta o valor e raridade do livro. Não se pode desvalorizar da mesma maneira uma primeira edição do Colóquio dos Simples e das Drogas afectado por insectos, da mesma forma que uma primeira edição de Os Maias com defeitos semelhantes.

Por fim, há um aspecto em que os danos provocados por insectos podem ajudar. Trata-se de verificar se um exemplar possui fólios de outro exemplar ou até fólios facsimilados. Uma vez que os cortes e/ou furos tendem a ser uniformes, encontrar um corte que não está presente apenas num fólio intermédio entre outros fólios afectados, é indicador de que o fólio provém de outro exemplar ou é facsimilado.